Sam Bankman-Fried pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos que anule sua condenação por fraude e determine um novo julgamento.
O recurso também contesta uma ordem de confisco de US$ 11 bilhões com base na proibição constitucional de multas excessivas.
A petição se baseia em grande parte em uma decisão da Suprema Corte de 2025 relativa a fraude eletrônica e dano econômico.
O ex-CEO da FTX, Sam Bankman-Fried, pediu à Suprema Corte dos Estados Unidos em 10 de setembro de 2026 que anule sua condenação e determine um novo julgamento, segundo a CNN. A petição é relevante porque também busca reverter uma ordem de confisco de US$ 11 bilhões e contesta as provas que os jurados foram autorizados a considerar sobre as perdas financeiras dos clientes da FTX.
Bankman-Fried, comumente conhecido como SBF, foi sentenciado em 2024 a 25 anos de prisão depois que os promotores provaram que ele direcionou bilhões de dólares da FTX para o fundo de hedge afiliado Alameda Research. Os recursos foram usados para fins que incluíam investimentos arriscados, doações políticas e despesas pessoais de Bankman-Fried.
Contestação das provas e do confisco
Bankman-Fried argumenta que o tribunal de primeira instância deveria ter permitido que ele apresentasse provas de que seus investimentos tiveram desempenho suficientemente bom para cobrir potenciais perdas dos clientes da FTX. Seu recurso questiona por que os promotores foram autorizados a apresentar provas que sugeriam que os clientes perderam dinheiro, enquanto a defesa não pôde apresentar provas sobre o desempenho dos investimentos ou a capacidade de cobrir essas perdas.
Jeffrey Fisher, advogado especializado em casos na Suprema Corte dos Estados Unidos, descreveu a posição da defesa:
“Quando o governo adota uma teoria de fraude segundo a qual não importa se alguma vítima perdeu dinheiro, apresentar provas sugerindo que as pessoas de fato perderam dinheiro é uma distração e causa prejuízo. Ainda mais quando a verdade é que as vítimas não perderam dinheiro e o réu não consegue deixar isso claro.”
Bankman-Fried também contesta separadamente a ordem de confisco de US$ 11 bilhões, argumentando que ela viola a Oitava Emenda à Constituição dos Estados Unidos, que proíbe multas excessivas.
O Tribunal de Apelações dos Estados Unidos para o Segundo Circuito rejeitou seus argumentos no início de 2026. Seu caso poderá agora ser analisado pela Suprema Corte ainda este ano.
Recurso invoca decisão da Suprema Corte de 2025
A petição se baseia em grande parte em uma recente decisão da Suprema Corte envolvendo uma empresa contratada pelo Departamento de Transportes. A companhia obteve um contrato multimilionário de pintura de pontes após afirmar que cumpria exigências para envolver empresas pertencentes a membros de grupos socialmente vulneráveis, mas, em vez disso, estabeleceu uma estrutura de intermediação e apresentou certificações falsas.
Depois que a empresa e um de seus executivos foram condenados por fraude eletrônica e conspiração, eles recorreram à Suprema Corte. A defesa argumentou que a conduta não poderia constituir fraude eletrônica sem a intenção de causar dano econômico, porque o trabalho contratado havia sido concluído.
A Suprema Corte rejeitou por unanimidade esse recurso em 2025. Bankman-Fried reconhece a decisão, mas a utiliza para apresentar um argumento diferente: se os promotores que seguem uma teoria de “indução fraudulenta” não precisam provar perdas econômicas reais, argumenta ele, as provas de perdas financeiras não deveriam ter sido admitidas em seu julgamento.
Sua defesa argumenta que, se os promotores puderem apresentar essas provas, os réus também deverão poder apresentar provas que demonstrem a ausência de perdas ou a capacidade de cobri-las.
Contestações anteriores e pedido de perdão
A petição à Suprema Corte é o passo mais recente no esforço de Bankman-Fried para contestar sua condenação. Em abril de 2026, um tribunal federal em Manhattan rejeitou sua moção por um novo julgamento, concluindo que seus argumentos relativos a “novas provas” eram infundados. O juiz Lewis Kaplan também disse que a iniciativa poderia ter feito parte de uma estratégia para reabilitar a reputação de Bankman-Fried após o colapso da FTX.
Bankman-Fried apresentou um pedido oficial de perdão em junho, depois de ter dito anteriormente que considerava sua sentença injusta. Os senadores Ruben Gallego e Cynthia Lummis responderam apresentando uma resolução que buscava impedir um perdão, anistia ou outra mitigação de sua punição, citando o que descreveram como falta de remorso.
Em julho, o Senado dos Estados Unidos aprovou por unanimidade a S. Res. 772, que pede que Bankman-Fried não receba perdão nem outra mitigação de pena. A resolução é consultiva e não vincula legalmente o presidente dos Estados Unidos.
Em agosto, o governo federal dos Estados Unidos vendeu ações da Anthropic que pertenciam a ex-executivos da Alameda Research e da FTX. O Serviço de Delegados Federais dos Estados Unidos vendeu os ativos a investidores já existentes da Anthropic, mas os compradores, o preço de venda e o valor arrecadado não foram divulgados. Estimativas citadas na fonte situavam o valor atual das ações entre US$ 2,6 bilhões e mais de US$ 5 bilhões.
Fonte: HODL Press
