O banco central de Israel e políticos da oposição criticaram o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu depois que ele disse, em uma entrevista a um canal israelense na sexta-feira, que o país precisava preparar um sistema econômico alternativo para evitar possíveis sanções bancárias. As declarações ocorreram enquanto Israel enfrentava crescente pressão internacional sobre as políticas de seu governo na Cisjordânia ocupada, informou o Financial Times.
Netanyahu identificou as criptomoedas como uma possível ferramenta para esse sistema e disse que já estava trabalhando na questão.
Banco central rejeita proposta de evasão de sanções
O banco central de Israel disse que as criptomoedas “não podem servir como meio para contornar sanções impostas a Israel”. A instituição pediu à liderança política do país que preserve os laços econômicos com os principais parceiros comerciais e se concentre em prevenir possíveis restrições.
“O caminho certo para a economia israelense é preservar as relações econômicas com nossos principais parceiros comerciais e concentrar esforços em prevenir sanções e seu impacto negativo sobre a economia”, disse o banco central.
O Reino Unido, a França, o Canadá, os Países Baixos e a Espanha impuseram ou se comprometeram a impor restrições em resposta à expansão dos assentamentos israelenses e a ataques de colonos contra palestinos, segundo o Financial Times.
Netanyahu também advertiu que Israel poderia enfrentar uma administração dos Estados Unidos menos favorável após o fim do mandato do presidente Donald Trump. Ele disse que a ajuda militar dos EUA a Israel provavelmente diminuiria porque “a América mudou”.
Oposição alerta para isolamento internacional
Gadi Eisenkot, principal rival político de Netanyahu e líder do partido centrista Yashar, acusou o primeiro-ministro de “desmantelar a economia israelense”.
“Netanyahu perdeu o contato com a realidade. Ele se retirou para um mundo de ilusões, oferecendo uma ‘solução’ para o isolamento internacional que ele próprio criou — cortando Israel da economia global”, escreveu Eisenkot.
Yair Lapid, do grupo de oposição centrista B’Yahad, comparou a proposta de Netanyahu de uma “economia de contorno” a sistemas usados por países com acesso limitado às redes financeiras internacionais, incluindo Irã, Rússia e Venezuela.
Eran Yashiv, professor de economia da Universidade de Tel Aviv, classificou como irresponsável a ideia de usar criptomoedas para contornar sanções. Ele disse que essas declarações criavam a impressão de que a liderança de Israel estava preparada para tomar medidas extremas.
Israel autorizou a emissão de uma stablecoin atrelada ao shekel em abril de 2026.
Fonte: HODL Press
